quarta-feira, 14 de abril de 2010

Como eu gostava que alguém me dissesse isto.

The shadow of the day will embrace the world in grey
And the sun will set for you

E muitas coisas mais. Se eu mandasse, a cobardia virava pecado capital.

(Sometimes goodbye's the only way)


VLC plays: Linkin Park - Shadow of the day

terça-feira, 6 de abril de 2010

Hoje.

Um dia vou sorrir, rir desalmadamente, rir de mim e dos outros, rir de coisas parvas e sem nexo, rir só por rir... Rir para conter.
Um dia vou correr contra o vento só para provar que sou mais forte, vou correr sem parar nos sítios de sempre, vou correr e não olhar para trás. Correr e não saber para onde vou, mas saber para onde não vou.
Um dia vou dormir à janela, vou sonhar com o frio lá fora, vou sonhar com o frio dentro.
Um dia vou escrever memórias, apagar memórias, crescer.
Um dia vou colar papéis nas paredes do quarto para me lembrar de esquecer.

Hoje é esse o dia.


VLC plays: Smashing Pumpkins - Tonight tonight

sábado, 3 de abril de 2010

Autch!

O meu pai encontrou um isqueiro no banco do condutor do meu carro. Senti as bochechas como um pimento a ser queimado nas brasas numa tarde de Verão português com direito a incêndios em tudo o que é lado! Escaldou, e de que maneira! Espero que tenha acreditado quando disse que era de uma amiga qualquer, aquelas malucas, sempre a esquecerem-se de coisas no meu carro, ai que cabecinhas... Traduzido foi um SOCORRO! HAJA ALGUMA ARAGEM QUE ME REFRESQUE AS BOCHECHAS!! É certinho, mesmo que esteja a dizer a verdade, big tomato no seu melhor. Ele até que consegue ser inocentezinho às vezes. Ou então faz-se. Pois, acho que é isso. E também não deve ter dado importância ao facto de ser 1 de Abril. Era muita coincidência, nah, demasiada coincidência. Cof cof...


VLC plays: Muse Resistance

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Maldita a hora em que me lembrei da palavra "imbecil".

Às vezes quero escrever e sinto os dedos tolhidos. Sinto que quero extravasar o que estou a pensar naquele momento e leio o que já aqui escrevi desde o primeiro dia... e não, não fica bem. De que vou falar? Não há assunto. Será isto a minha vida agora? Nem sequer ter um assunto pelo qual valha a pena escrever?! Pfff. Imbecil. Estou bem, gosto do solinho pouquinho que tem espreitado nas nuvens, continuo a adiar trabalho que já devia estar feito (o costume)... Acho que estou com medo. Sim, é isso. E por isso é que vim aqui escrever. Se estivesse realmente feliz, é pá, não, não viria aqui, porque infelizmente preciso de angústia para sentir necessidade de escrever. Que pobreza, não saber escrever a felicidade. Pfff. Imbecil. Mas ter medo não é bem angústia, é mais... Imbecilidade. Sim, é isso. Não que eu seja imbecil ao ponto de admitir que fraco é quem tem medo. Não, até porque eu tenho medo do escuro e não me considero mais fraca por isso. Até é giro. Às vezes, vá. Imbecil por ter medo daquilo que já não me pode fazer mal. Imbecil porque tenho medo de sobrepor novamente a emoção à realidade. Penso demais e isso gasta-me energias positivas. Damn it. Imbecil porque estou neste momento a considerar-me imbecil por ter medo de um imbecil que nem merece o tempo em que o chamo de imbecil, quanto mais o tempo em que tenho medo. De olhar para trás e querer voltar à estaca zero. Pfff. Imbecis.

VLC plays: Massive Attack feat. Martina Topley Bird - Paradise Circus

quinta-feira, 1 de abril de 2010

11 graus de muito frio.

explode no teu coração um amor-perfeito, será doce o seu pólen na corola de um beijo, não tenhas medo, hão-de pedir-to quando chegar a primavera

M.R. Pedreira


Há muito tempo que não me sentia bem sozinha. De repente olho para o lado e já não vejo o telemóvel, onde é que ele anda?, nem parece coisa minha, deixar o bicho por sua conta. Esta coisa de estar à espera de alguém tem piada até quando se experimenta o outro lado, o não estar à espera. A princípio, estranha-se, é duro até, parece que já não tem piada cozinhar ou ver o pôr-do-sol, mas depois é como diz o outro, entranha-se. Há uma arrogância mesquinha, crescente, ainda que pequenina, modesta, mas é aquela força, nariz empinado talvez, de quem se está nas tintas nos momentos mais dados à (custa-me escrever esta coisa) solidão... mas qual solidão?!, é quando passamos um dia ou uma tarde apenas na nossa companhia e pensamos demais?! É isso?? Isso não é solidão, porque passadas poucas horas já estamos rodeados de família e amigos e cãezinhos e gatinhos e coisas que nos fazem sorrir, tipo um pôr-do-sol, ainda que timidamente, porque eu não sou de ferro e também tenho memórias que às vezes deviam morrer para nunca mais acordarem, mas não sou eu que mando. Ou até sou. Agora sou.

VLC plays: Muse - Supermassive Black Hole

quinta-feira, 25 de março de 2010

Às vezes.

Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar. Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a fazer.
E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se oiça o coração bater desordeiramente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade.
Às vezes, é preciso partir antes do tempo, dizer: aquilo que mais se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma e prepará-la para um futuro incerto, acreditar que esse futuro é bom e afinal já está perto, apertar as mãos uma contra a outra e rezar a um Deus qualquer que nos dê força e serenidade. Pensar que o tempo está a nosso favor, que a vontade de mudar é sempre mais forte, que o destino e as circunstâncias se encarregarão de atenuar a nossa dor e de a transformar numa recordação ténue e fechada num passado sem retorno que teve o seu tempo e a sua época e que um dia também teve o seu fim.
Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizemos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito. Somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor.
Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo a baixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda-fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.
Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio, paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar.
Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então esquecer.

Margarida Rebelo Pinto 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Estúpido jardim.

Nunca mais voltam as cores quentes. Os vestidos bonitos, os chinelos numa mão, o gelado na outra, a areia sob os pés. Os baloiços, os bancos de jardim... Onde me sentei sozinha, naquele entardecer escuro e molhado, frio, ríspido e sem sentido. Não conseguia sentir mais do que a ganga ensopada com gotas esquecidas pelo vento no banco daquele jardim que de jardim nada tinha, só bancos e erva a tentarem ser bonitos no meio de uma cidade apressada e poluída. Quase preferi correr para a estrada vizinha, fazer parar os carros, perguntar as horas em jeito de cumprimento e tentar depois perceber o porquê de não olharem com olhos de ver para as suas vidas, fazer com que não deixassem que a vida se transformasse num pesadelo verdadeiro. Mas não, fiquei quieta, tremente com aquela temperatura, não com a do ar, mas com a minha, a que tinha ficado abaixo da garganta quando perdi a voz de tanto gritar o que não sentia. Mais uma vez, tinha perdido as estribeiras, o juízo, a racionalidade, a força, a vontade... Mais uma vez, desejei não estar ali, fugi, chorei sem pudor em frente de gente, gente que voltava para casa, gente que comprava pão, gente que passeava o animal. Corri para aquele jardim, no meio de estradas encruzilhadas, que de jardim nada tinha. Só queria lembrar-me do amor que já sentira, daquilo que já fora e que eu (?) tinha transformado em pesadelo. Não conseguia pensar, não conseguia andar em linha recta, as lágrimas turvavam-me a raiva que sentia, senti-me pequena, muito pequena. Mais uma vez, a minha corrida só me levou àquele jardim vazio de primavera, não consegui chegar ao sítio mais perto que estava mesmo ao meu lado, sentado a dois palmos de ar pesado, no meio de uma conversa queixosa que virou gritos e choros impotentes.
Mas naquele momento, no banco ensopado, só conseguia acreditar que aquele dia não era eu, eu não era assim, não era aquele bicho selvagem que não consegue expressar o que sente, que deseja lutar e matar a presa só porque não falam a mesma língua ou estão em pontos diferentes da cadeia. Naquele momento, a vontade de desistir era como quem diz, porque já não havia nada para desistir, já não havia algo por que lutar, não havia o porque gosto de ti. O mundo tornou-se insano, não conseguia discernir o bem do mal, o exagero da realidade, o que dizia sentir do que me corria verdadeiramente no sangue. Mais uma vez, não consegui lidar com as minhas palavras, mal entendidas, e as que ouvia só me faziam rir, de raiva, de incredulidade, de não estou a ouvir isto. Nunca me tinha sentido tão desconectada de alguém. Nunca me tinha sentido tão impotente em relação às palavras.

Quero cores quentes, quero o sol a invadir-me a íris, a cegar-me de vida, de razão. Preciso de algo que naturalmente me aqueça a força de acreditar em mim e nas outras pessoas. Quero voltar a ser ingénua e inocente. Olhar para um jardim que de jardim nada tenha e não sentir memórias a atazanar-me os minutos que podiam ser de contemplação apenas. Tenho saudades de olhar para a beleza  das coisas e não pensar nem ver ninguém. Para além de mim.



VLC plays: Paramore - Ignorance

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Estúpida canção.

A cidade está deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros,
Nas pontes, nas ruas...
Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura
Ora amarga, ora doce
Para nos lembrar que o amor é uma doença
Quando nele julgamos ver a nossa cura...



Colei a música à minha realidade e apeteceu-me gritar com as paredes, sair a correr para algum sítio em que o meu vício se tornasse menos profuso, como se planta fosse e me tivessem enraivecido de seiva, agora abundante num chão pouco seguro. Medonho, desnivelado, ambíguo. Ir por um caminho que nem eu sei se existe, sem pausas para café, sem protecções laterais, sem semáforos ou rotundas. Só ir, sem nada, sem ninguém a estorvar, sem meter o bedelho nem deixar que narizes se aproximem. Vou porque sim, porque me apetece. Porque ME apetece. Porque agora sinto força e vejo o chão desnivelado, mas não quero saber, porque não vou pelo chão, vou a voar. As asas?!... Não interessam. Se interessassem, não as teria(s) cortado.



VLC plays: Ornatos Violeta - Ouvi dizer

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Procura-se estabilidade.

Hoje o dia reflectiu-nos. Manhã sol, tarde negra. Devia ter-me fiado mais nas previsões do homem da meteorologia, que nos deu sinal logo pela madrugada. O nosso sol é fictício, não esconde calor nem ajuda as plantinhas. É um sol diferente, só brilha quando lhe apetece e na maior parte dos dias consome mais energia do que aquela que oferece. É o típico solitário à noite, sempre à procura da sua lua encantada, que sabe não existir (pelo menos, para ele), mas não desiste. Eu também procurei o teu encanto, que sei que tens, mas também sabia (achava eu) que esse calor não me protegia da porra da insegurança. E se eu te disser que sim? Que protege? O que vai mudar? Estou a despejar perguntas para fora do tornado que me vai na cabeça e, até agora, não consigo perceber o que é que foi real. Não sei se sentimos tudo o que dissemos, mas houve muita coisa que não disse e sinto-o. Talvez não o tenha sabido demonstrar, não com esta vida dupla que tomámos e que nos levou ora ao céu, ora ao subterrâneo. O motivo por que escrevo... nem eu sei. Não sei se pretendo aproveitar apenas o sol que às vezes vem de lá fora ou se quero recuperar a força do nosso. Qualquer percurso é duro. Resta-me descobrir qual deles será pior. 

Não sei o que quero fazer.

O nosso sol é pequenino. Mas é um sol. E quer apagar-se.

(Já se apagou?)
VLC plays: Alicia Keys - Doesn't mean anything

domingo, 17 de janeiro de 2010

Domingo-dolce-fare-quasi-niente.

(Em conversa com a progenitora, acerca de uma colega de trabalho)

- Oh mãe, não lhe vais dizer isso... Ela vai achar que és uma tarada!
- Oh... Ela já acha!
*risota pegada*

Estimo bastante as saídas dela. Maluca.
Ainda há coisas que existem só para nos fazer sorrir para dentro. Mais importante do que rir mesmo, é aquecer o que às vezes está mais frescote. O peito. E coisas como ver o cabelo e o narizinho da minha sobrinha de 32 semanas gestacionais... É o melhor chocolate quente que se pode ter numa noite de Inverno :)

Outra coisa, as imagens do Haiti têm-me feito uma certa confusão... Eu que não sou muito de me chocar. Parece que aquilo está sério.
Achei piada ao donativo da Madonna - 250 mil dólares. Pá, está bem que eles não têm mais ou menos obrigação do que os comuns mortais... Mas... Até o Brad das pitas doou mais! Está a ficar um bocadinho sovina, a rainha da pop.

Parece que tenho mesmo de me aplicar. Eu não queria, mas vai ter de ser. Não sei por quê, mas algo me diz que por este andar... Vou dar consultas no Haiti :) Sem ofensa, piadinha negra. Não fui feita para estudar. Pior, não sei para o que é que fui feita. Nem sei se vou gostar de falar de comida a toda a hora... Anyway, por agora é para o que estou.

Por falar nisso... Vou ali trincar qualquer coisa.


VLC plays: The Script - Fall for Anything