quinta-feira, 1 de julho de 2010

Muralha.

Sinto-me uma criança medrosa, que tanto quis ir ao mar e depois nem molhar os pés conseguiu.

Hoje senti que tenho feridas que não sararam com a minha capa impermeável. Por incrível que pareça, comparo olhares, situações e palavras que não têm a mesma família nem a mesma cor de olhos, mas o medo do previsível está lá. Onde é que eu já vi isto?

Às tantas tenho medo é de mim.

VLC playsMolly Johnson Melody

domingo, 27 de junho de 2010

domingo, 13 de junho de 2010

sexta-feira, 11 de junho de 2010

21.

Depois de ter passado o melhor aniversário desde que me lembro (nota: eu tenho boa memória!), sinto com mais nitidez a afeição, passo do ouvir ao escutar e já consigo ver em vez do vulgo olhar. Nem de todos os momentos se fazem a memória, mas aqueles que ficam são, sem dúvida, para nos ensinar alguma coisa. Da melhor ou da pior maneira.
Há coisas que só percebemos passado algum tempo do dia em que as vivemos... Hoje compreendo que isso acontece porque não entendemos bem o sinal, ou porque simplesmente ainda não estamos preparados para aceitar a realidade dos factos. Eu já tinha passado a primeira hipótese há algum tempo e sabia que ainda não queria virar a página para a segunda.
Muitos foram (e às vezes, são) os dias em que pensei já ter trocado de vida. Mas depois percebi que mudar a disposição do quarto não é suficiente para deixarmos de sentir aquilo que não queremos. É preciso muito mais do que isso. É preciso cair, sim, é preciso cair muitas vezes, mas também de todas essas vezes sentir um alívio maior e acreditar que aquilo é humanamente normal. É importante olhar e ver as coisas acontecerem com naturalidade, tanto os deslizes como os dias de maior força, mas mais importante que isso, é preciso participar activamente na vida. Não deixar passar os dias sem lhes tocar e dizer olá, não vitimizar ainda mais o corpo e a mente com aquilo que já é óbvio para todos.

Às vezes precisamos de um abanão - ou de muitos! - por pessoas que nos querem bem. Aquelas pessoas que compreendem e nos querem fazer compreender a realidade e se esforçam, lutam, ralham, gritam, mas também acarinham, estão ali e estão e estão... É preciso as pessoas certas à nossa volta. Isso é certo.

Também já sabia que, para além dos amigos, dependia muito de mim a passagem para a segunda etapa.

O que é novo para mim e que estou a (gostar de) descobrir é a maneira como podemos mostrar inocentemente aquilo que somos a outra pessoa que também mostra a sua inocência. Sem complicações, sem mais para além de. É simplesmente do que preciso neste momento, perceber que as segundas intenções só o são quando realmente queremos. E a minha vida nadou em segundas intenções disfarçadas (ou não, eu não sou estúpida.), que acabaram por se revelar uma vontade desmedida de nada que valesse a pena.

Foi isso que vi em muitos percalços que tive até hoje. Não quero que o meu futuro se baseie no meu passado, quero antes aprender com o que me marcou e ter consciência do que fiz ou não fiz que possa ter complicado o sentido das coisas.

Neste momento é só isto. Apesar da inocência e pureza que me transmites serem deliciosas.

VLC plays: Paramore - The Only Exception

domingo, 6 de junho de 2010

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Só assim uma pequena...

... nota!

Eu não sou estúpida. Nunca fui. Mas às vezes gostava de ser. A sério.

ADENDA: Mentira, não, não gostava. O que eu gostava era de confiar menos nas pessoas! Funny, isn't it? :)
 
VLC plays: Mutya Buena - Real Girl

domingo, 30 de maio de 2010

Lazy-Sunday-Thought # 1


VLC plays: Michael Nyman - The promise

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Meio metro de chocolate.

Como se os dados de repente tivessem virado berlindes e não parassem de rolar, arrasando com a lógica do jogo que até ali fazia sentido. Como se no último segundo tivesse perdido o comboio da viagem ao olhar de quem foi e não deixou mapa. Como se a sombra deste penoso corpo morresse no chão cheio de sol e brilho e alegria das outras almas, maravilhadas com os primeiros dias quentes e cheirosos de maresia. Como se as nuvens negras pertencessem só a este mundo de fantasia onde só está quem quer ser cego. Como se já tudo fosse longínquo, inalcançável, poderosamente esquecido, mas ao mesmo tempo tão presente, tão igual, tão vivo que se sente o roço na pele. Como se as palavras caladas na garganta virassem gritos no peito, incontroláveis de... sei lá. De qualquer coisa que sabe mal, que é amargo, corrosivo. Só para tentar contrariar o doce que ainda trazem à boca quando alguém lhes abre a porta.

O brilho no olhar, a cabeça despida de mundos e fundos, os porquês deixados na gaveta das meias. Ou então ir buscá-los e responder simplesmente... porque sim.

VLC plays: Papas da Língua - Vem pra cá

domingo, 16 de maio de 2010

Renascer.

Matamos pequenos pedaços de vida que dançam dentro de nós. Deixamos que as palavras passem do peito para boca, em vez de visitarem primeiro a mioleira. São escassos segundos em que ficamos desatentos, quando baixamos a guarda e de repente, sem contar, apanha-nos uma seta sorrateira, egoísta, silenciosa. São tempos em que fingimos ter o poder imortal de um escudo protector, que na realidade é feito de folhas e ramos que caem com a doçura de uma brisa marítima. São dias que podem tirar-nos uma lasca tão difícil de colar que preferimos pensar que nunca existiu. Que sempre assim foi, que nunca a marginal teve o significado que naquela noite lhe demos. Que nunca o sol se levantou para nos ver nem nós corremos para o ver deitar-se.

Mataste pequenos pedaços de vida que dançavam dentro de mim. Quebraste a música dos meus ouvidos ao tornares silêncio aquilo que (não) sentias. E eu quebrei a voz porcelânica que dizia amar-te.


VLC plays: Pearl Jam - Don't breathe

domingo, 25 de abril de 2010

Fucking sunday.

E quando se pensa que a chuva já parou de cair e que o vento ficou a dormir, voltamos o  queixo para baixo e molham-se os olhos de novo. Nós, sem força para os contrariar. Não mais. É aí que quebramos, é quando damos conta do que está realmente debaixo dos escombros que têm sido os dias. Ora morango amargo, ora chocolate calórico. Coisas que podiam ter um sabor diferente, mas que por aquilo que sabemos, por aquilo que sentimos, perde um pouco o brilho. Há sempre um mas, um e se, uma parede mais forte que se levanta entre nós e a paz. Espera-se que a porta se abra, uma qualquer, uma que dê para um sítio certo, que não seja preciso pôr a medo o pé no novo chão antes de avançar para ver se é seguro. E deixar a trouxa enterrada no passado.
Porque essa é a única coisa que cabe a mim fazer e nem isso consegui.

VLC plays: Os Azeitonas - Anda comigo ver os aviões