sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Eu quero ver esse feeling, turururu.

E no momento seguinte estou a sorrir. E a rir do vento que lá fora chora de raiva por eu lhe ter fechado a janela. E a ouvir música toda yo, rasca rasquinha, e gostar. Pois é, a vida é mesmo assim. Até nos conseguimos surpreender de vez em quando. É esse o gostinho bom dos dias cinzentos, é saber que às vezes até temos compaixão pelo esforço que o S. Pedro faz para tentar, em vão, estragar-nos a vidinha com o agoiro da chuva e do frio. Às vezes, nem a pouca luz que entra pela janela de manhã nos escurece o bom humor. E hoje sabe bem ter (alguma) consciência isso. Que quando nos levantamos é para ver o sol. Mesmo que tenhamos que esperar uns dias por ele. Pelo menos sabemos o que esperar.

Esta música até que... coiso. Ando cá com uns gostinhos... Acordar cedo anda a fazer-me mal. Ou não :)
Da-se, tenho de estudar. E não me apetece muito. Ok, não me apetece, ponto. Se me apetecesse pouco até que nem era mau de todo. Aiiii.

O Cristiano Reinaldo até que... coiso. Não fosse a inteligência estar toda concentrada nos músculos... Coitadinho. Outro é o Filipe ídolo. Eh pá, abrir a boca só para cantar. Coitadinhos.  

Eu quero ver esse feeling, turururu.

 
VLC plays: D'zrt - Feeling (eu avisei...)   


Post Scriptum: Uma coisa que não percebi bem na letra da música foi... Tudo pára quando tu dizes que sim... Não era suposto parar quando a moça dissesse que não?! Não!? Menos? Ok, eu calo-me.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Primeiro (de) Agosto.

Ao longe, o rio. Tremendamente bonito à hora da sesta, fazia jus ao próprio nome, mostrando-se espelho dourado e brilhante aos turistas que deambulavam na orla. Ouviam-se sussuros de leves brisas que pareciam confrontar-se na quase foz do distrito que escolheste para viver. Formigueiros de carros percorriam a ponte de arcos que ajuda a ligar as margens irmãs. Incapazes de reparar na maravilha daquele sítio, pessoas ao volante perdidas em pensamentos quotidianos, fúteis e escusados, com problemas e soluções, felicidade ou angústia. Embraiagem, travão, reduzir, voltar a acelerar. De via para via, parecem discutir com o tempo que o relógio lhes roubou, tal é a convicção em chegar à outra ponta. Parecem acreditar que podem agarrar as horas e levá-las ao ritmo da vida, quando tão bem sabemos, tu e eu, que é o tempo que nos engole e faz aquilo que quer de nós.
A espuma refeita pelo barco a motor quebra aquele ambiente confuso de cidade e concede-me a miragem do paraíso. As ondas perfeitamente dobradas, o sol a cobrir a água e os verdes da costa, o ar inalado com aroma de ti e o teu olhar atento. A beleza daquele sítio pousava em nós e o especial não passava nem pelo esplendor do rio, nem pelas gentes que lhe davam vida, nem pela imensidão de sol que abraçava o lugar. Algures na mistura de vidas e sentimentos, encontrava-se a nossa vida cruzada, o nosso sentimento unido.
O mundo deixou de obedecer às leis de sempre, absolutas, universais, intocáveis, quando os teus lábios desabrocharam nos meus. Agora, a luz parecia irradiada do próprio planeta, as cores e sensações aconteciam para dar brilho ao sol, o centro era ali, Copérnico já era. O rio correu para montante, a bússola apontou para sul, o vento forte e desordenado deu lugar à nossa leve e sintonizada respiração. Desafiámos a gravidade com o peso da nossa paixão, demorámo-nos no ar sem que alguma coisa nos atirasse ao chão, vencemos o tempo que pulsava no teu relógio e a força do íman que, por entre risos, nos quis separar na mesma manhã. De repente, tudo à nossa volta se simplificou na mera paisagem para o rio do norte, a complexidade juntou-se em redor de nós, do nosso doce e suculento beijo, mais profundo do que o mar lá longe, mais real do que a nossa presença, mais quente do que qualquer sol. Ali, descobriste-me a vontade de te ter, procuraste o gosto a saudade que trazia dentro de mim, fundiste o teu sabor no meu, apaixonado e apaixonante, fizeste-me tua, como tanto tinhas pedido. Deste-me a conhecer a dança dos teus dedos com a irreverência dos meus fios de cabelo, quente sensação de ternura e de querer estar. Tiraste-me de um mundo só meu para ser contigo no teu, inquietaste o meu peito com um olhar profundamente inocente, encantador, e no fim, embalaste o meu corpo de menina num abraço forte e seguro com sabor a lar, doce lar. A dúvida passou a certeza, Tu e Eu?, não, isso era antes, agora seríamos um simples Nós.
Deste-me muito mais do que aquela visão de cristal. Foste amável, amante e amor, foste terra e mar, foste caçador selvagem e cavalheiro enamorado. Agora prevaleces como um estigma no meu corpo, profundo e eterno, fascínio dos meus dias isentos de ti.

Escrito em Agosto de 2008

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Let it go.

Bardamerda com isso.

VLC plays: Air Traffic - No more running away

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Vacina.

A insónia não é de tristeza nem de ansiedade. É de raiva. As lágrimas não são de dor nem de alergia. São de raiva. O grito calado na garganta não é por ser noite e ter respeito pelas pessoas normais. É por orgulho. Coisa que nem sei se tenho quando te percebo mais perto e te acho piada. O orgulho que faço por mostrar quando debaixo desta capa nada mais pode ser mostrado. Rir-te-ias se conseguisses perceber o que escondo... que ainda penso em ti, não sei bem de que maneira, mas penso. Não consigo encontrar razões para isso, não me vejo contigo em momento algum e em lugar nenhum. Mas penso. Não que te ame loucamente (ou simplesmente que te ame), longe disso. Acho que preencheste (nem sempre) alguns minutos da minha solidão e isso levou-me para fora de mim (para dentro de ti). Não gosto disto. Gostava de ter paz e permanecer no meu mundo, ver-te só lá longe onde ninguém interessa, olhar-te com indiferença. Gostava de ser tão forte quanto pareço e tão alegre por dentro como sou por fora. Menos pensar, mais agir. Friamente, com desprezo. Uma simpatia disfarçada. O que for. Queria parecer-te bem, sem ressentimentos, sem sentimentos calados. Na verdade, admito, queria que te arrependesses, que te ajoelhasses e beijasses o chão que calco, que percebesses o que toda a gente quis ver (mas que não existia). Mas a tua incoerência já confundiu alguns (muitos) dos meus dias (noites), por isso é bom que não te arrependas... Porque, nesse caso, eu vou arrepender-me de voltar a deixar-me levar pelo frio enganador da noite.
Sinceramente nem sei o que esperava (espero) de ti... Acho que nunca foi muito. Esperei que mudasses. Esperei mudar-te.
Não é sentir falta, é hábito desmedido. Não é desamor. É raiva. E, fosga-se, é do pior.


VLC plays: Gift - 645

domingo, 1 de novembro de 2009

A Casa Quieta.

Novembro

Eu viria talvez povoado

hipotéticos fantasmas quem sabe
uma ou outra vingança por consumar
dias em que desocupado
de grandes traições anseios
uma ou outra desgraça
quando te atravessaste
intransponível
nesse caminho que fazia só fazendo
pouco alerta mudo impávido
quando olhava sem bem olhar
via só o que queria
mesmo no que ver me custava
e foi quando o teu sorriso


Rodrigo Guedes de Carvalho (2005)

sábado, 31 de outubro de 2009

Nice quote.

there's a point in life when you get tired of chasing everyone and trying to fix everything, but it's not giving up. it's realizing that you don't need certain people and their crap.


VLC plays:
Maria Gadu - Shimbalaiê

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O amor é mesmo fodido.

O mais difícil é encontrar novas e válidas razões para levantar da cama. Aliás, do sofá, que a cama está propositadamente esquecida no quarto cheio de pó. Só para não ter de levar contigo todas as manhãs, preso aos pensamentos outonais, mordentes e depressivos.
Odeio chuva!

Por falar nisso... Vou ali arrumar a casa.

VLC plays: Adele - Hometown Glory

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Presente versus Futuro.

O problema das pessoas é querer viver o futuro. Hoje, de férias, estou a contar os dias para o próximo ano lectivo. Depois, vou estar a contar os dias para o Natal. E depois vai aparecer mais qualquer coisa (provavelmente o nascimento do meu sobrinho que, segundo as minhas previsões espectaculares e completamente infundadas, será uma menina! Yupi!!) para desestabilizar o meu presente. As pessoas vivem em função daquilo que ainda vem... E eu, por vezes, não sou excepção. Por isso é que não acredito naquela história patética de ver o futuro. Claro que depois não haveria vida, porque seria como se já tivesse vivido. Mas pronto. Isto tudo para dizer que estou fartiiiiiinha de férias e quero pôr mãos ao trabalho. Principalmente para me manter ocupada e deixar coisas inúteis e consumidoras de paciência fora do alcance do meu pensamento. Tretas! O pensamento cai sempre no sítio proibido... Porque, não querendo pensar em coisas inúteis e consumidoras de paciência, já estou a pensar em coisas inúteis e consumidoras de paciência! Mas vou tentar não querer não pensar nisso... E escrever alguma coisa decente também dava jeito. Hoje estou racional. Devia estar assim mais vezes.

Ah, e o passado... Pronto, o passado é também para deixar lá, no passado.


VLC plays: Diana Krall - Quiet Nights (2009)

domingo, 6 de setembro de 2009

Medos.

Morre-se hoje, amanhã acorda-se. Os dias vão carregando o corpo para outros sítios, mas o sorriso continua cristalino. É difícil esconder o que rebola na alma de menina simpática (ou não, depende dos dias!), mas lá se vai conseguindo. Hoje disseram-me que toda a gente tinha segredos... e que eu deveria guardar os meus. Aliás, que não devia envergonhar-me disso. É justo. As pessoas vão e vêm conforme os trilhos que traçamos. Tenho cada vez mais certezas de que nada podemos fazer para mudarmos as nortadas que nos apanham desprevenidos e nos arrefecem os prazeres do sentir. Ao longo do tempo, percebo que as pessoas têm manias, todas diferentes, e medos também. E estes últimos são os mais complicados de lidar. Muitas vezes é difícil perceber se é passageiro, se já é feitio, se legítimo ou não. De qualquer forma, a boa vontade não consegue ultrapassar a barreira que por vezes se instala à volta de um coração. E é aí que nos sentimos pequeninos, impotentes, como se até àquele momento não tivéssemos aprendido nada que valesse a pena.


VLC plays: Blind Zero - Slow Time Love

segunda-feira, 20 de julho de 2009

E a saga repete-se.

Às vezes pergunto-me sobre o que poderás ter visto em mim. Complicada como eu sou, exigente, refilona, impaciente, com a mania da razão... Pois. Será porque somos iguais?

O que é que andamos a fazer? A brincar aos felizes encontros fugazes, às noites ilícitas, às promessas que não chegam a existir?! É como se tornasses o meu quarto num lugar desconhecido, a preto e branco como nos filmes antigos, sem brilho nas paredes, sem estrelas fluorescentes no tecto. Mas quando voltas, o cheiro familiar instala-se, a casa torna-se lar, as cores reflectem vida... E nada mais parece importar. Não interessa as calças no chão, a loiça por arrumar, a matéria não estudada. Não quando o meu mundo está concentrado nas tuas mãos, que parecem tardar em voltar, abertas para me ter, de vez!

Acho que o problema não é faltares tu. O problema é eu não poder dizer que estou aqui. Porque sei que vens. Mas também vais. E voltas a vir e a ir. Por isso não preciso de ti.
Na verdade, contigo já me habituei a estar sozinha.



"Tudo o que acontece uma vez poderá nunca mais acontecer, mas tudo o que acontece duas vezes, certamente acontecerá uma terceira."
O Alquimista, Paulo Coelho